Divagando sobre o saber.


Conhecimento é líquido, em sua forma mais bruta de estado.Flexível que é, tapando os buracos da dúvida. Quebrando o retículo cristalino da nulidade intelectual. Um saber qualquer não é lá tão escorrido no fio molhado em que o senso comum passa jorrando algo insólito: sofismo comedido.Desde a Grécia Clássica, estamos aí, do mesmo modo e com a mesma interrogação estampada na cara, no olhar que cerca o rio de cientificismo que encontra nosso barco.Dizem os hábitos - conhecimento popular - que nadar faz crescer.O quê?Nadar neste rio chamado curiosidade faz crescer a vontade de estar molhado em suas águas, onde quanto mais fica, mais sua seca é alimentada: a seca se renova no bruto descascar das doutrinas insalobras, no tronco pontudo da imparcialidade. Para qual função nasceu o homem há um tempo atrás, senão foi para fazer perguntas?O conhecimento existe, pois voa por aí, caçando um porto onde enguiçar.

Marcos Carneiro

Um comentário:

  1. Belo texto!

    Aborda o paradoxo e o relativismo do conhecimento, ao mesmo tempo em que coloca as perguntas como um fim em si mesmo. Me fez lembrar das pessoas que dizem que o importante não são as respostas, mas sim as perguntas. Pois estas são permanentes e aquelas transitórias.

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