Ela é vistosa, fofa, e intocável. Lúdica luz na escuridão imensurável.
Aquela Maria Mole de pedregulhos, que em ciclos menstruais faz a Terra, creada indemitível, abrir e fechar as cortinas da sala de visita.
Nós somos famintos pelo sem-gosto. Pela imagem confortável de morder o
que é fofo vistoso, intocável. Há mais elos entre dentes e o aveludado das coisas
do que o censo pode discernir. Intocável que é, está na frente do cardápio, prato dos dias,
mas não de mesa. Prato abstrato pra se comer com os olhos, temperar com poesia e lambuzar no outro.
(...)
Eu e você, como garfos afiados nas mãos, espreitando aquele sorvete inoxidável, e talheres que não hão de se sujar.




Marcos Carneiro

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