Zeugma Ralé
Tantas idas na condução;
tantas voltas num caminho demente.
Mecânico - como o dia - seu coração,
se faz contentado, não contente.

Morde o pão que amassou o diabo;
sujo deste fica, tua cárie - único dente.
Carboidrato de formato amassado;
não se faz gosto, mas nutriente.

Sobe na lage como o rei local;
não se faz coroa, mas carente.
Limpa a cárie com pasta anual;
não se faz flúor, mas fluente.

Cultua o obsceno na saia da moça;
desfile gratuito na rua indigente.
Leva o sermão - esfrega com força...
Ela não é pro seus olhos, servente!

Desce do trono, rei decadente;
dedo cortado, fica calado.
Falar é perigo de ser afogado,
pois sua vida é seu próprio solvente.


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